O PRIMEIRO PASSO!
A cortina abriu e o espetáculo
está de volta. Começou a 85ª edição da Liga Portuguesa de Futebol, vulgo Liga
NOS por questões de patrocínio. Com ela, chega a emoção e fervor, alguma perda
de juízo e racionalidade que nos consome durante largos meses, mais
precisamente até dia 19 de maio (para quem lá chegar ainda com aspirações).
PIZZI PARA TODOS
A data de início da competição
era 11 de agosto, mas os compromissos internacionais do Benfica anteciparam o
começo para dia 10 no Estádio da Luz. O Benfica disputava o encontro entre
“mãos europeias”, pelo que esse facto associado a uma sempre pressionante
primeira jornada, ainda para mais frente ao Vitória de Guimarães, tornava o
cenário nada fácil para os encarnados. Já o Vitória visitava a capital à
procura de responder, eu diria, a 2 questões importantes: o forte reforço no
plantel terá os resultados europeus desejados para esta temporada? Ou a derrota
inesperada frente ao Tondela, e consequente eliminação da Taça da Liga, indicia
um Vitória ainda com as dores do passado recente? Bom, os dados estavam
lançados. Rui Vitória apostava no mesmo 11 que defrontara os turcos do
Fenerbahce a meio da semana, aproveitando a boa exibição europeia do Benfica e
a natural necessidade de reforçar automatismos. Luis Castro, promovia o
regresso de Ola John a uma casa que lhe era muito familiar, num 11 com muitos
jogadores de clube grande: André André, João Carlos Teixeira, Osório, Rafa
Soares e Wakaso. O início de noite de 6ª feira foi exclusivamente de um verdadeiro
maestro: Pizzi. 38 minutos foram suficientes para o extraordinário médio
português bater Douglas por 3 vezes. Pelo meio, Ferreyra falhou uma grande
penalidade e adiou por mais um jogo a estreia a marcar pelo Benfica. Certo é
que a história de Jonas acabou em amor eterno, e ainda bem para o Benfica pois
este Ferreyra, até ver, não tem justificado. O Vitória fez valer a garra que o
caracteriza e reduziu a desvantagem para o mínimo, aproveitando também algum
relaxamento dos homens de Rui Vitória. O Benfica venceu, mas aqueles 5 minutos
e 2 golos dos homens da cidade berço apagaram o brilhantismo dos encarnados.
Nisso, Rui Vitória não tem razão e não pode permitir tal feito após uma
primeira parte de bom nível. Porque o Benfica pôs-se a jeito e um jogo tranquilo
e galvanizador para um futuro que se avizinha pleno de jogos decisivos para a
época dos encarnados, tornou-se algo tremido e potenciador de alguma dúvida.
Segue-se a viagem a Istambul, como próximo passo na tão desejada presença na
fase de grupos da Liga dos Campeões. O Bessa virá logo de imediato, pelo que o
calendário do Benfica segue bastante preenchido e carregado de obstáculos.
Conseguirão superá-los?
PARECIA UM TREINO, MAS JÁ ERA OFICIAL
Sim, o FC Porto estreou-se no
Estádio do Dragão frente ao Desportivo de Chaves num jogo que pareceu um amigável,
mas não foi. Não estou a indiciar qualquer facilitismo por parte da equipa de
Daniel Ramos, mas sim uma superioridade tão avassaladora dos campeões nacionais
que mais pareceu um jogo de treino. 5 golos e outras tantas oportunidades
claras da equipa de Sérgio Conceição foram mais que suficientes para
literalmente atropelar o Desportivo de Chaves e entrar de mão cheia na nova
época. O Porto já venceu a Supertaça, mas o seu ímpeto e vontade de ganhar não
esmoreceram. Não permitiu absolutamente nada ao seu adversário: 0 cantos, 0
remates à baliza, pouco mais do que 30% de posse de bola… enfim. Sérgio
Conceição pede reforços e é certo que as lesões de Tiquinho Soares, Danilo e
Mbemba reforçam a sua necessidade. Mas este treinador é especial, e a base
forte que desenvolveu e lhe deu o título na época passada, parece estar ainda
mais capaz. A sua habilidade para potenciar jogadores é extraordinária, e não
admirava ninguém se André Pereira, Adrian López ou até Marius fossem elevados a
um expoente máximo, que poucos esperam aos dias de hoje. O caminho dos dragões
segue agora para Sul, para o Restelo, com todas as memórias algo difíceis de
recordar que daí advêm. O Porto por norma não se dá bem por essas paragens e o
Belenenses venceu a primeira jornada em Tondela, pelo que o desafio não é de
todo fácil. Mas para parar Sérgio Conceição é preciso muito. Todos tentam, mas
até hoje poucos foram os que conseguiram.
ADMIRÁVEL NOVO MUNDO
O Sporting passou por tudo. Por tanto
que nos perdemos a tentar perceber o sem número de casos que ocorreram em
Alvalade. Por isso, o jogo deste domingo levantava a grande questão para os
adeptos do Sporting: que equipa temos este ano? Frente ao Moreirense, José
Peseiro e a sua equipa procuravam a melhor resposta. E ela começou por sair aos
soluços com Heriberto Tavares (emprestado pelo SL Benfica) a desviar ao segundo
poste e a adiantar o Moreirense. O Sporting entrava da pior forma e os indícios
não eram os melhores. Mas se houve episódios bons no meio de tanta confusão nos
últimos meses, os regressos de Bruno Fernandes e Bas Dost são os principais.
Aos 16´, o melhor jogador da ultima edição da Liga rematou cruzado sem
hipóteses para o guarda redes Jhonatan e Bas Dost só por milagre não adiantou
os leões logo de seguida. O Sporting criava perigo, mas o Moreirense também! O
jogo mantinha-se equilibrado e os leões não estavam seguros, nem pouco mais ou
menos. Nani e Acuña eram a prova de que o Sporting precisava de alterar o seu
jogo se queria sair de Moreira de Cónegos com os 3 pontos, e as suas saídas
permitiram que Raphinha e Jovane Cabral pudessem dar uma lufada de ar fresco às
aspirações dos leões. Ambos agitaram o jogo e foi de Jovane o momento que
desbloqueou a vitória do Sporting. Carregado em falta pela defensiva do
Moreirense, possibilitou a Bas Dost cobrar com sucesso uma grande penalidade
que colocava o Sporting na frente já dentro do último quarto de hora. O jogo
não terminou sem o gigante holandês confirmar o triunfo dos leões, de forma
sublime, a passe extraordinário de Bruno Fernandes. O melhor do jogo foi mesmo
o resultado, porque este Sporting carece ainda de capacidade para dominar o seu
jogo e fazer prevalecer a sua superioridade em campo. A mensagem de que a
equipa está a recuperar de ruturas que jamais se poderiam prever no futebol
português tem passado, e contra isso não há grande contestação que possa ser
feita. Mas a verdade é que o Sporting tem um plantel de grande qualidade e as
exibições terão forçosamente de ser melhores, porque as dores do passado
permanecem, mas não podem ser argumento para tudo!
Um abraço,
C9




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