O DEFESO DO BENFICA
Após uma época onde o Benfica
falhou o penta, muitos apontaram como razão do fracasso dos encarnados a clara
falta de investimento de Luís Filipe Vieira no plantel. Saíram Ederson, Nelson
Semedo e Lindelof, e o Benfica não substituiu devidamente a perda de tanto valor.
Parece muito injusto falar de fracasso quando o clube tem sido dono e senhor de
praticamente todos os títulos nacionais nos últimos anos, mas o que é certo é
que os adeptos da Luz sonhavam com o Penta e essa conquista foi perdida para
aquele que continua como o único que se pode orgulhar de tal feito: o FC Porto.
No futebol, vira-se a página a cada ano que passa e os clubes procuram escrever
novas histórias de sucesso. O que fez o Benfica para atacar a tão proclamada
Reconquista? Vejamos…
O PÓS – EDERSON!
As conquistas dos encarnados
tiveram muito do brasileiro. De uma agilidade e reflexos impressionantes, a sua
saída para o Manchester City foi um passo justo e de reconhecimento para um
guarda redes de classe mundial. Mas, a substituição na baliza do Benfica foi
confusa. Tão confusa como a distância que vai entre Ederson e os seus
sucessores. De Júlio César a Mile Svilar, foi Bruno Varela que se fixou entre
os postes. Não é de todo um mau guarda redes, e fez uma época em bom plano. No
entanto, o português parece nunca ter convencido os responsáveis encarnados, que
se movimentavam ativamente no mercado, ainda a época não ia a meio. Falou-se em
Hradecky, e mais recentemente em Renan, mas foi o já há muito anunciado
Vlachodimos que vestiu de vermelho e branco. Sem grandes custos para os cofres
encarnados, o alemão vem se mostrando em excelente forma nesta pré-temporada e
Rui Vitória dá sinais que será ele o titular. É inegável que Vlachodimos tem
potencial para ser um bom guarda-redes, há imagem dos muitos da escola alemã
que vão pontificando nos principais clubes da europa do futebol. No entanto, o
Benfica precisa de um guarda-redes para já, e não pode repetir uma época que
viu Júlio César jogar para rescindir, Bruno Varela entre o banco e a
titularidade e Mile Svilar entre a aposta clara, com manifestos riscos que se
verificaram, e o banco de suplentes. SERÁ
VLACHODIMOS?
Ruben Dias é valor seguro na
defesa do Benfica e, juntamente com Jardel, formou uma dupla competente que só
falhou o título de defesa menos batida na última temporada por 4 golos (22
contra 18 dos portistas). André Almeida à direita, deu equilíbrio e
estabilidade, assim como Grimaldo que, apesar de alguma queda para as lesões, é
jogador de valor acima da média, com uma apetência ofensiva difícil de igualar
no nosso campeonato. A base da defensiva benfiquista tem competência, mas as
soluções para a sua substituição não escasseiam em número, mas em qualidade
comprovada. Os reforços foram muitos, e ninguém duvida do potencial de Conti,
Lema e Ebuehi. Mas o último já teve a infelicidade de uma rotura de ligamentos
que o impede de ser solução por um bom tempo, e os primeiros dois terão
necessariamente de passar pelo natural período de adaptação. As questões que se
colocam prendem-se com a saída ou não de Ruben Dias, e a capacidade física de
Jardel em toda a temporada. Luisão renovou, mas não será titular, e os
argentinos terão de se assumir rapidamente por forma a que a equipa não se
ressinta dos muitos jogos que disputará entre competições internas e europeias.
Guardei a lateral esquerda para último pois tem pouco que se lhe diga. Grimaldo
é titular indiscutível e de incontestável valia, e Yuri Ribeiro regressa de
empréstimo no ponto ideal de projeção da sua carreira para outros voos. Tem
qualidade, é muito jovem, e fez excelente temporada no Rio Ave, pelo que o
Benfica tem um substituto à altura para o espanhol.
GARANTIAS COM A MARCA DE PIZZI E FEJSA
O título diz tudo. Pizzi e Fejsa
são donos e senhores da zona central do meio campo benfiquista. E, valha a
verdade, como todo o mérito. O sérvio pela capacidade de recuperação de bola e
posicionamento, que dão à equipa os equilíbrios necessários para se lançar no ataque
sem preocupações e o português pela visão de jogo, qualidade de passe e chegada
em zonas de finalização. Atrás de Fejsa temos Samaris, Keaton Parks e Alfa
Semedo que dão garantias de estabilidade na posição e, no caso de Pizzi, temos
provavelmente uma das grandes estrelas da nova geração do futebol português:
Gedson Fernandes. Zivkovic e Krovinovic também poderão desempenhar a função,
não seria uma novidade, pelo que não há mais nada do que boas dores de cabeça para
Rui Vitória neste âmbito. Nas alas, Salvio não deixa dúvidas quer a atacar,
quer a defender, e os muitos títulos que já conquistou de águia ao peito são
prova disso. Se as lesões não o massacrarem novamente, está ainda em plena
capacidade. Aliás, as alas do Benfica estão recheadas de boas opções, com
velocidade e técnica de Rafa e Cervi, bem como a juventude e talento puro de
João Félix e Jota! O meio campo do Benfica é forte, amplo em soluções, e com
uma qualidade extraordinária. Tem experiência, cultura de vitórias e perspetiva
de futuro das melhores que o futebol português tem para oferecer. Se Jota, João
Félix e Gedson demonstram tudo aquilo que se perspetiva deles…
É a grande dúvida que se levanta.
34 golos dos 80 que a equipa marcou na época passada no campeonato, 37 golos em
41 jogos pelo Benfica em toda a temporada, definem o que o brasileiro
representa. Aliás, permitam-me aprofundar os números porque Jonas em 4
temporadas de águia ao peito tem 122 golos em 152 jogos. São dados de uma
autêntica instituição dentro do Benfica, pelo que é alarmante a indefinição em
torno da sua pretensa renovação de contrato. Jimenez era suplente de luxo, e a
necessidade de jogar com maior regularidade levou-o por empréstimo para o
Wolverhampton, pelo que o Benfica tinha a necessidade de se reforçar. E
reforçou-se de forma clara com o investimento em dois jogadores de grande
capacidade: Ferreyra e Castillo. O primeiro mais ao estilo de Jonas, pela
qualidade técnica e mobilidade na zona de finalização, e o segundo mais ao estilo
do saudoso Mitroglou, pelo posicionamento de área e forte sentido de golo.
Poder de fogo e qualidade não faltam na zona ofensiva do Benfica, mas nada
poderá afetar mais o setor se Jonas estiver de saída. Porque afinal de contas,
os números não mentem, e para superar o brasileiro, a tarefa não é nada fácil.
Um abraço,
C9







Comments
Post a Comment