SÓ FALTOU O GOLO!
O FC Porto apresentava-se aos
sócios em ambiente de grande comunhão entre adeptos e jogadores. Não só pelo
habitual apoio e paixão das bancadas do Dragão pela sua equipa, mas sobretudo
pela crença no arranque de uma época em que os azuis e brancos defendem o
título de campeões nacionais. O jogo era frente aos ingleses do Newcastle, e a
partida ganhava uma dimensão histórica de respeito e reconhecimento por um
homem que fez muito pelos dois emblemas: Bobby Robson. Um dos grandes
Gentlemans do futebol mundial, Sir Bobby Robson foi campeão pelo Porto nas
épocas 94/95 e 96/96, e foi figura histórica nos magpies, clube onde terminou a sua fantástica carreira em 2004.
Um a um, os jogadores subiram ao
relvado sob fortes aplausos dos milhares de adeptos que enchiam as cadeiras do
Dragão, destacando-se os habituais dínamos da euforia portista: Herrera,
Casillas, Marega e Brahimi. Aqui, destaca-se também o carinho a Mbemba, pelo
infortúnio na sua lesão, logo após assinar pelo Dragão. Se o jogo era, como se
diz na gíria, “a feijões”, a verdade é que a expectativa era de ver o 11 que
Sérgio Conceição lançava nas 4 linhas. Com a Supertaça à distância de uma
semana, a equipa a lançar seria, com certeza, muito próxima daquela que entrará
em campo em Aveiro frente ao Desportivo das Aves.
No 11, a falta dos transferidos
Marcano, Dalot e Ricardo Pereira, deu origem às entradas de Maxi Pereira e do
jovem Diogo Leite, sendo que a restante equipa transita da época passada:
Casillas entre os postes, Felipe como patrão de uma defesa com Alex Telles na
ala esquerda, um meio campo comandado por Herrera e Sérgio Oliveira, Brahimi e
Otávio nas alas em apoio constante aos avançados Marega e Aboubakar. No banco,
opções de grande valia com Óliver, Corona e Tiquinho Soares a demonstrarem que
o plantel portista é tudo menos incompleto.
Já ninguém duvida de um Porto à
imagem de Sérgio Conceição, com entradas fortes em jogo, pressionantes e na
procura constante do golo. E apesar de se tratar ainda de pré-temporada, onde
algum eventual enferrujamento na máquina ainda é tolerável, a verdade é que o
Porto entrou forte e com boas jogadas de entendimento, e podia ter chegado ao
golo logo no 1º tempo. Houve algumas perdas de bola preocupantes na zona
intermediária, mas o Porto teve oportunidades e, não fosse Yedlin a salvar em
cima da linha um cabeceamento de Sérgio Oliveira, as bancadas do Dragão tinham
explodido nos primeiros 45 minutos.
No 2º tempo a toada ofensiva dos
portistas foi ainda mais percetível, e logo desde cedo com o som da bola de Sérgio
Oliveira a esbarrar no poste da baliza do inspiradíssimo Dubravka que, por
instinto, trava a recarga de Marega. Tinham passado apenas 10 minutos desde o
apito para o recomeço da partida e o Porto ameaçava como nunca. A bola não
queria mesmo entrar e, 5 minutos após o momento de Sérgio Oliveira, Tiquinho
Soares surgiu no coração da área para desviar a bola para fantástica defesa de
Dubravka. O brasileiro teve a hipótese clara de fazer o golo no ressalto do
lance, mas a infelicidade e a barra do guardião dos magpies foram a chave para
a falta de eficácia do brasileiro.
A substituições sucediam-se, mas
eram os homens que tinham entrado ao intervalo (Corona e Soares), que davam
espetáculo no Dragão. O mexicano mostrou todo o seu talento neste início de
nova época e, com excelente trabalho pela esquerda, assistiu Soares mas
Dubravka estava em estado de graça e só ele foi capaz de negar algo que se
adivinhava, tantas eram as oportunidades do Porto. Mas o nulo manteve-se, num
jogo que não terminou sem antes Óliver e Marius mostrarem um belo entendimento
ofensivo.
No final das contas, um empate
que demonstra um Porto que, apesar de pecar na finalização, está já bem oleado
para iniciar a temporada. Daqui a uma semana tem a sua estreia oficial na
Supertaça e, valha a franqueza, dificilmente se verificará outro desfecho que
não seja a conquista do troféu por parte dos azuis e brancos. Esse poderá ser
um importante incentivo para o Porto atacar o início das competições,
desmistificando uma opinião errada de que está com poucas soluções e com um
plantel a necessitar de reforços. É certo que a defesa preocupa, não pela falta
de qualidade, mas talvez pela falta de opções na zona central. Mas este Porto
tem base campeã, um meio campo e ataque intactos e prósperos em opções de
qualidade, pelo que Sérgio Conceição pode mencionar a necessidade de reforços
porque a perfeição é sempre uma utopia no futebol, mas a qualidade essa está
lá, e muita!
Um abraço,
C9
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