HVALA HRVATSKA!!!


Ontem jogava-se a final do campeonato do mundo e, para os croatas, vivia-se um momento histórico. De tal forma transcendente que ultrapassou as fronteiras de um país pequeno e recente, para contagiar todo o planeta (menos a França!). Ninguém ficou indiferente a uma equipa que transpirava orgulho a cada jogada e que demonstrava através do esforço de múltiplos prolongamentos, o brio e a dignidade de uma nação que nunca deixou de os apoiar.  O primeiro grande momento foi logo à segunda jornada frente à Argentina de Messi. Uma vitória clara por 3.0, com um golo de antologia de um pequeno grande jogador (não falo de Messi, mas de Modric), que prendeu a atenção do mundo do futebol para o que os croatas seriam capazes de fazer. Mas longe ainda do que realmente conquistaram.


Seguiram-se 3 prolongamentos, penalties e muitos quilómetros nas pernas. Primeiro a Dinamarca num jogo carregado de emoção. A Croácia começou praticamente a perder, empatou por Mandzukic e estendeu o jogo para lá do tempo regulamentar. Aos 118’, Modric viu o que mais ninguém conseguiu ver, isolou Rebic magistralmente, para o avançado croata ser derrubado dentro da grande área. O 10 estava cara a cara com Kasper Schmeichel e com os 4os de final do Mundial, mas não foi capaz de bater o guardião dinamarquês. O jogo seguiu para penalties e aí, Subasic ficou enorme, defendeu 3 grandes penalidades e enviou a Croácia para a próxima fase. Uma fase que teria a anfitriã Rússia. Mais um jogo excitante, mais um prolongamento, mais um desempate por grandes penalidades. A Rússia fez um torneio brilhante, demonstrando um futebol atrativo e ofensivo, e revelando muita qualidade nos pés de Cheryshev, Mário Fernandes e, claro, Golovin. Mas a Croácia estava no Mundial para fazer história e foi mais forte. As meias finais chegavam e esta geração croata igualava já a melhor prestação de sempre em campeonatos do mundo. Tinha sido há 20 anos, em França, por Suker, Prosinecki e companhia. A Inglaterra estava no caminho, eles que tinham a oportunidade de “trazer de novo o futebol para casa”. Mas a Croácia estava em estado de graça, os jogos estendiam-se sempre no tempo e os croatas não paravam de correr e de lutar. Desta vez não foram necessárias grandes penalidades, porque Mandzukic marcou perto do fim do prolongamento e enviou um país inteiro para uma dimensão que ninguém achava possível. Um estado de euforia, de loucura, de orgulho e êxtase. A Croácia estava na Final!


Moscovo, 15 de Julho de 2018. Modric encabeçava uma fila de 11 jogadores que representavam 4 milhões de croatas. Representavam tudo o que o futebol tem de maravilhoso: qualidade, técnica, jogo em equipa, humildade e superação. Não podia ser de outra forma. A França era favorita, mas os olhos estavam todos postos nos croatas. Olhares de admiração e respeito pela sua trajetória. A França venceu, mas a Croácia caiu de pé. A sua conquista já era plena. Modric foi justamente o melhor jogador do torneio e demonstrou claramente que é o melhor médio centro do mundo da atualidade e, provavelmente, o melhor jogador croata de todos os tempos. Uma palavra também para Dalic que mostrou que é possível levar um pequeno país ao topo do Mundo. Hoje, a França é campeã do Mundo, mas a Croácia entrou no coração de todos os adeptos do futebol!

HVALA HRVATSKA!

Um abraço,
C9

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