UMA FESTA ESPECIAL
O que se viveu este Domingo no Jamor foi especial. Especial
porque tudo o que envolveu a final da taça de Portugal foi algo único,
particular e, desejamos todos, irrepetível. Uma festa pouco falada antes,
durante e mesmo após o jogo, substituída por um acontecimento atroz que marcará
a história do futebol português, e do Sporting Clube de Portugal. Esse caso
despoletou imagens que jamais esquecerei…
… Um jovem guarda-redes de 42 anos levantar, em pleno Jamor,
a Taça de Portugal. Quim simbolizou uma história de perseverança e humildade na
maior conquista da história do Desportivo das Aves.
… Um dos maiores símbolos do Sporting, com perto de 500 jogos
de leão ao peito, lavado em lágrimas, como que antecipando um triste fim numa
vida de leão ao peito que começou tinha apenas 11 anos. Sim, Rui Patrício foi
para Alvalade com 11 anos, para hoje ser o 2º jogador com mais jogos na
história do Sporting.
… Um avançado com 70 golos em 90 jogos ao serviço do
Sporting, entrar em campo com a cabeça ligada, fruto de um caso que já todos
conhecemos. Bas Dost foi barbaramente agredido, foi suturado, e levou essas
marcas para o Jamor. O que viveu ao minuto 79 é uma de muitas.
… A superação de um jovem de 24 anos. Alexandre Guedes era um
miúdo de 16 anos em Alcochete, que tinha um futuro grande à sua frente. Foi
dispensado de Alvalade, abraçou o projeto do Desportivo das Aves na 2ª Liga,
subiu a pulso e marcou com classe uma tarde absolutamente inesquecível para os
avenses. Com classe porque se o seu 1º golo revela um grande sentido de
oportunidade, o 2º demonstra que Guedes era realmente o que poucos não souberam
ver no seu crescimento até aos seniores.
… Um dos treinadores mais titulados da história do futebol
português mostrar com dignidade como se gere uma equipa. Jorge Jesus sentiu na
pele o dever de um treinador de defender os seus jogadores. Nunca conheceu a
vitória no Jamor, e este ano não foi exceção. Não merecia que o destino lhe
colocasse pela frente uma das piores semanas da sua carreira. Muito menos a
alguém que nasceu com pouco, cresceu com muitas finais no Jamor, e vivia desde
há muito para dedicar um momento de conquista naquele local ao seu Pai.
… Um José Mota, que já era mítico pelos anos que leva no
futebol português, carregados de trabalho inexcedível e com títulos na 2ª Liga,
tornar-se ainda mais mítico pela conquista do Jamor. Poucos lhe fizeram caso
durante a semana, mas todos tiveram que o reconhecer no final do jogo.
O que aconteceu no Jamor deve ser lembrado como um exemplo.
Um exemplo de superação de uma equipa como o Aves que mostrou que no futebol
não há impossíveis. Um exemplo de dignidade e respeito de uma equipa como o
Sporting que se apresentou em campo, apesar de tudo, elevando o espetáculo e
dando tudo por um jogo em que as pernas e a cabeça não ajudaram. Não podiam
ajudar…
Um abraço,
C9


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