OBRIGADO SÉRGIO!
17 Horas, Quinta-feira, 8 de Junho de 2017: Sérgio Conceição
era apresentado, no Estádio do Dragão, como novo treinador do FC Porto. Dois
dias antes acertava a rescisão de um contrato renovado recentemente com o
Nantes até 2020, clube que sob o seu comando tinha, já a época decorria,
passado do estatuto de “candidato à despromoção” para “candidato à
Europa”. Este cenário era difícil para
Pinto da Costa. Mas o Presidente enfrentou-o, Sérgio explicou que a
oportunidade era de uma vida, e o casamento deu-se.
O momento não era, de todo, o mais fácil para o homem que
quisesse assumir os comandos da equipa azul e branca. A ida ao mercado era
proibitiva, não se festejavam títulos há 4 anos e a chama vencedora do Porto
estava desaparecida. Sérgio chegou, e na sua apresentação foi assertivo: “Não
vim para aprender, venho para ensinar!”. Olhou para dentro, viu o que tinha ao
seu dispor, mandou regressar jogadores, cerrou fileiras e ensinou 3 palavras:
trabalho, garra e humildade. Não que nenhum dos elementos do plantel não
conhecesse os termos. Mas, o trabalho, a garra e a humildade de Sérgio
Conceição, não conheciam de certeza! Nem o futebol português tinha tido a
atenção necessária para conhecer. Mas a época começou, e quando a bola começou
a rolar, os termos foram saltando aos olhos de todos, fazendo logo encher de fé
os adeptos do Porto. Mais ou menos céticos, nenhum duvidou que aquela equipa,
com aquele treinador, podia perder, mas jamais deixaria de lutar.
Veio Marega, um jogador emprestado ao Vitória de Guimarães,
cuja técnica e o jeito para a bola chegavam a provocar risadas e gozos. Com
Sérgio, Marega fez 23 golos e 8 assistências. Veio Sérgio Oliveira. Desde
criança no Dragão, somava empréstimos. Com Sérgio, encheu o campo! Veio
Ricardo, Dalot, Aboubakar, um novo Herrera, um Alex Telles de classe mundial,
um Felipe imperial, um Marcano com muita classe, um Brahimi imparável… Veio um
novo Porto! Que foi vencendo e assumiu logo uma condição para todos: o melhor
futebol jogava-se no Dragão. Podemos sempre brincar com as palavras, baralhar
as frases, contar histórias diferentes. Mas o melhor futebol jogava-se mesmo no
Dragão, e quem conseguia ver futebol sem a camisola à frente dos olhos,
percebia isso.
As rodas no relvado sucediam-se, o Porto não vencia sempre,
por vezes até de forma frustrante. Mas as rodas estavam lá, nunca deixavam de
se realizar e os adeptos também participavam no momento. De Norte a Sul, o
Porto jogava cada vez com mais gente às costas.
Para uma grande caminhada, o momento mais bonito ficou para
o final. 15 de Abril, em pleno Estádio da Luz. O “novo Herrera”, aos 90’,
confirmou um compromisso assumido na data escrita no início deste texto. Despiu
a camisola, e mostrou o símbolo que unia toda aquela nação. Nos festejos, nas
rodas, nos jogos, nos treinos, todos mostraram que aprenderam com Sérgio
Conceição.
O FC Porto já venceu tudo o que havia para vencer. Já
levantou Taças em Viena, em Gelsenkirchen, em Tóquio, em Sevilha, em Yokohama…
Já viu Pedroto, Artur Jorge, Mourinho ou Villas Boas. Com Sérgio, pode não ter
sido o maior feito de um clube que nunca deixou de saber ganhar. Mas com
Sérgio, escreveu-se uma das histórias mais bonitas e inspiradoras da história
do Porto. Com 16 anos e muitos meses a tentar convencer o Pai, conseguiu que
este o levasse para os juniores do FC Porto. O seu Pai faleceu pouco depois, e
a sua Mãe também, ainda Sérgio era jovem. Talvez por isso as suas palavras
serão sempre as mais sentidas, e quem o ouvir irá senti-las sempre à flor da
pele. A história nem um ano tem, mas as emoções já valem por muitos anos.
Obrigado Sérgio!
Um abraço,
C9
C9



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