HERRERAAAAA! HERRERAAAAA! HERRERAAAAA!...
Não era um dia normal. Não era um
dia qualquer. Para Benfica e Porto era o dia! Separados por apenas 1 ponto,
ficando a faltar 4 jornadas para o final do campeonato, o dia era de decisão. O
vencedor ganhava muito mais do que um clássico que de todas as características
possíveis, só há uma que não tem para os adeptos: comparação! Fossem águias ou
dragões, o vencedor abria, quase de forma definitiva, as portas do título.
Rui Vitória falou da necessidade
de ter 11 Eusébios em campo. O Penta é um objetivo que emociona, empolga e faz
sonhar a nação encarnada. Sérgio Conceição ia para ganhar. Com ele iam mais de
3000 adeptos do Porto e, em pensamento, uma nação inteira que ama o Porto. A
Luz guarda recordações fantásticas para os azuis e brancos e ontem seria o momento
maior de uma caminhada longa e sinuosa, mas que este ano tem sido plena de
esperança.
No Benfica, a probabilidade virou
certeza momentos antes do jogo: Jonas estava de novo de fora e Jimenez ia
rendê-lo. No Porto, Marega estava na lista, no autocarro e dominava a ansiedade
dos adeptos do Porto. O maliano tem sido protagonista e, a sua ausência
recente, deixava demasiada saudade. Sobretudo nas últimas deslocações dos
dragões, onde a bola andou demasiadas vezes à porta do golo, mas não entrou.
Num passado recente de clássicos onde o empate imperou, o início do jogo fazia
antever semelhante destino, com duas equipas a anularem-se constantemente,
embora verificando-se um ligeiro ascendente do Benfica na etapa inicial. Os
adeptos e apaixonados pelo Benfica fizeram do seu estádio um autêntico inferno,
não faltando ao repto de Luis Filipe Vieira e de todo o plantel que pediu a sua
presença e a sua força num momento chave, tentando criar o máximo de
desconforto possível ao adversário, e fazendo-o sentir a grandeza da Luz. Mas o
Porto não estava sozinho. Dos primeiros 45 minutos, além dos endiabrados Rafa e
Cervi, foi Pizzi que teve apenas Casillas pela frente. Mas, há imagem do que
tem sido o espanhol em outros tantos grandes jogos, neste não deixou de ser gigante.
O Benfica atacava, o Porto não assustava e, tirando o momento de Pizzi, mais
nenhum suspiro de perigo de sentiu no Estádio da Luz até ao intervalo. Mas a
segunda parte traria uma história diferente.
Que Sérgio Conceição é ímpar na
ciência da comunicação, todos sabemos. Infelizmente não temos acesso ao
balneário, porque aí é que as palavras do treinador português devem ser mais
fortes. Ontem não se sabe qual foi o discurso, mas os jogadores do Porto vieram
do balneário decididos a mostrar o porquê de terem sido líderes tanto tempo.
Marega dava mostras de querer e poder aguentar os 90’ e Sérgio olhava para a
frente. Poupou Sérgio Oliveira a um desgosto e consequência graves para a
equipa e lançou Oliver, tirou Otávio e meteu Corona e lançou Aboubakar para o
lugar de Soares. Já Rui Vitória olhava para trás, convicto que o Benfica
precisava de maior índice defensivo em campo. Daí, lançou Samaris para o lugar
de Pizzi, e para espanto de muitos, tirou o perigoso e irreverente Rafa para
lançar Salvio. O olhar em frente de Sérgio Conceição criava sentimento
crescente de ambição da equipa na busca pela vitória e Marega teve perto de
traduzir esse objetivo. No entanto, o momento ficou reservado para o fim.
Jogada de ataque dos portistas pela zona central, Grimaldo alivia rasteiro para
a entrada da área onde apareceu sem licença Herrera para bater Bruno Varela de
forma fantástica. Apareceu porque o capitão Herrera tem aparecido em todo o
lado, durante todo o ano, 90 após 90 minutos. Só um adepto do Porto, se conseguir,
pode descrever o que sentiu naquele momento. Herrera tirou a camisola e
mostrou-a a toda a gente. Não mostrou o seu nome, mostrou o símbolo. O Porto
vencia, convencia e subia de novo ao lugar mais alto da classificação.
O futuro ninguém sabe, a história
e o desporto mandam ter prudência na tentativa de antecipar festejos. Mas o
futuro para os portistas é mais risonho que nunca, e o amanhã de Campeão parece
cada vez mais uma certeza. Para um clube que não se cansou de ganhar em todo o
lado nos últimos anos, o passado recente tem sido de um jejum que poucos
estavam habituados. A história parece estar a terminar. Falta pouco, 4 jogos!
Um abraço,
C9



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