GRÀCIES ANDRÉS!
Nunca foi sobre
ele. Nunca foi por causa dele. O importante sempre foi a equipa, os
companheiros e os adeptos. Por isso sempre foi respeitado, admirado e aplaudido
por todos. Por todos… sem exceção!Sim, saiu do Santiago Bernabéu aplaudido de
pé, como Cruyff, como Ronaldinho, como os grandes, os maiores de todos. Iniesta
diz hoje adeus a 22 anos de Barcelona. Os portões de La Masia abriram-se para
um niño de 11 anos tímido, humilde e receoso. Sentimentos habituais para uma
criança que saía de casa dos pais, em Albacete, rumo ao sonho de ser
profissional de futebol. Hoje Iniesta sai, mas os portões continuam abertos.
Porque se a gratidão eterna que Iniesta sente para com o clube, o clube sente o
mesmo por Iniesta. Foi muito mais do que 8 títulos de campeão espanhol (9 daqui a
uma semana), 6 taças e 6 supertaças de espanha, 3 mundiais de clubes ou 4 ligas
dos campeões. Muito mais! Foi uma personalidade, uma classe, uma humildade e
uma maneira de viver o futebol que dificilmente veremos novamente.
Iniesta sempre
foi do mesmo clube, sempre jogou na mesma casa. Mas o seu futebol sempre foi de
todos nós. Porque todos nós aprendemos a vê-lo jogar. A cada receção de bola,
cada passe, curto ou longo, cada golo, Iniesta mostrava como se fazia. Cruyff
dizia que o mais simples era jogar à bola, mas jogar futebol simples nem todos
conseguiam. Para Iniesta parecia tudo muito simples. Nunca teve o
reconhecimento material de melhor do mundo, mas todos olharam para ele com
esses olhos. Ao lado de Xavi, Messi, Ronaldinho, Villa ou Suárez, encheu Camp
Nou de momentos absolutamente extraordinários de vitórias, de sonhos que se
tornaram realidade ano após ano.
A Espanha viu o
momento mais alto do seu futebol com ele. Em 2010 em Joanesburgo, frente à
Holanda, Iniesta fez aos 116’ o golo que fez da Espanha, Campeã do Mundo. Tirou
a camisola, apontou para o céu e dedicou ao seu amigo Daniel Jarque, falecido 1
ano antes.
Desculpem se me
repito, mas para Iniesta nunca foi por si. Nunca foi só por si ou para si. Foi
sempre para adeptos, para os companheiros, para a equipa, para toda a gente. E,
por isso, toda a gente hoje agradece e aplaude aquele que consegue ser lenda
mesmo antes de pendurar as botas. Alguém que consegue gerar consensos num mundo
de futebol onde isso é demasiado difícil de atingir. Porque a admiração por
Iniesta é consensual, independentemente de ser adepto da casa ou visitante.
Obrigado
Iniesta,
Um abraço,
C9


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