3 TESTES DIFERENTES, O MESMO RESULTADO



Na difícil prova que é a Liga Portugal, onde a consistência toma o papel mais importante no conjunto de características necessárias para uma equipa atingir o título, cada jogo é um teste a que nenhum dos três grandes de se pode dar ao luxo de chumbar. Para estar no topo é preciso resolvê-los semana após semana, e Porto, Benfica e Sporting vão resolvendo. Que os 3 grandes vão inevitavelmente acentuando a diferença para os restantes adversários, cada vez mais todos nós nos vamos apercebendo. Que o equilíbrio é nota dominante neste campeonato, já todos sabemos. Mas a ponto de os resultados serem os mesmos? Pode ter sido obra do acaso. O que não será com certeza uma casualidade inesperada é esta expressão 3 grandes cair, mais tarde ou mais cedo, em desuso. O Braga está a bater à porta há muito tempo, vai vencendo, goleando e provavelmente atingindo as melhores notas artísticas das últimas jornadas. Para quando o seu devido reconhecimento? Seria falar de futebol no meio de tanto extra que vai enchendo a imprensa desportiva! E muitos, infelizmente, preferem extras.

MAR VERMELHO: FORA E DENTRO DAS 4 LINHAS


O SL Benfica iniciava a “jornada dos grandes” com a deslocação mais longínqua que lhe resta fazer até ao fim do campeonato. Nos preparativos do centenário do Feirense, nada melhor para os locais que festejar tão distinta data vencendo os encarnados. Não só pela data, mas por manifesta necessidade de facilitar a matemática da manutenção. O Benfica mantinha o 11 dos últimos jogos, beneficiando do regresso de Pizzi. Com Jonas num momento de verdadeira história, as águias entraram fortes e decididas a resolver cedo a partida. O Benfica podia ter agitado o marcador cedo, no entanto não era eficaz e o Feirense ia mantendo a sua baliza inviolada. No entanto não manteve a conduta disciplinar e para isso contribuiu Tiago Silva em apenas 27’. O Benfica ficava em superioridade numérica desde os 40’ e o Feirense ficava mais frágil. Esperava-se uma entrada decisiva do Benfica no segundo tempo, sufocando um Feirense inferiorizado em forma e número. Mas a resposta que Rui Vitória procurava estava no banco. O eterno suplente Jimenez entrou para marcar, literalmente! 29 segundos separaram a sua entrada do seu golo. O Benfica podia respirar, estava em vantagem e podia gerir o jogo com outra segurança. O Feirense tinha forçosamente de arriscar para inverter o resultado negativo e esse risco foi fatal pois permitiu que Rafa, um velho conhecido da casa, corresse sem oposição desde antes do meio campo, em direção à baliza, fechando as contas do marcador. O jogo ficava terminado, não sem antes Briseno ser expulso por vermelho direto, ficando o Feirense reduzido a nove jogadores. O Benfica continua a perseguição ao FC Porto, sem desarmar e com grande determinação. Segundo Rui Vitória, o Benfica é um conjunto de “animais de competição” e essa frase inspira o futuro dos encarnados, que bem vão precisar de instintos apurados para os desafios que se aproximam.

DÉRBI COM DIREITO A BRINDE



Quando dois clubes da mesma área geográfica se encontram, chamamos dérbi.  Quando FC Porto e Boavista FC se defrontam, chamamos dérbi da Invicta! Esse foi o nome do acontecimento do passado sábado, entre duas equipas separadas por 8 Km de VCI. Os dragões vinham de derrota apelidada de circo pelo próprio timoneiro, tendo visto Benfica e Sporting aproximarem-se, pelo que este era o momento de mostrarem que a “palhaçada” não tinha mexido com a equipa. Já os axadrezados queriam terminar com uma tendência que, muito provavelmente, os tem afastado de voos ainda maiores. Se em casa fazem cumprir a sua lei, com 5 vitórias nos últimos 5 jogos, fora de portas têm enormes dificuldades e registam igual tendência. Felipe não esperou mais do que 2’ para colocar os dragões em vantagem e, de cabeça, desviou para o fundo das redes um bom cruzamento de Sérgio Oliveira. Os dragões entravam fortes no jogo, decididos a resolver cedo a contenda, seguindo os desígnios táticos de Sérgio Conceição, que tão bem têm dado conta do recado ao longo da competição. No entanto, e como é tradição nas equipas axadrezadas, o Boavista nunca foi submisso nem virou a cara ao jogo. Foi infeliz com a lesão do seu maestro David Simão, mas esta equipa tem outro artista capaz de marcar os ritmos de jogo e Fábio Espinho mantinha-se, e bem, em campo. O Boavista fazia aproximações atrevidas à baliza do Porto, mas os dragões não permitiam grandes aventuras aos seus vizinhos e podiam ter resolvido a partida nos primeiros 45’, sobretudo por Aboubakar. O jogo caminhava para intervalo sem no entanto haver lugar a um momento de vídeo: Após violenta entrada de Vítor Bruno, o árbitro mostrou de pronto a cartolina vermelha. No entanto e após consulta da famosa ferramenta que tanta tinta faz correr, alterou a sua decisão para cartão amarelo. Boa ou má decisão não sei. O certo é que o vídeo não tira a subjetividade das decisões e isso trará sempre discussão. A 2ª parte começa com uma boa atitude do Boavista, destacando-se o remate cruzado de Mateus para boa defesa de Casillas. O Porto mexia, colocava Oliver para circular a bola com mais qualidade. Quem não a movimentou com o cuidado necessário foi o guardião Vágner que, na tentativa de sair a jogar desde a sua área, permitiu a interceção de Herrera, que com calma e tempo aumentou a vantagem para o FC Porto. Há mérito dos Dragões que têm sempre olhos na pressão alta e no sufoco dos seus adversários na saída de bola. No entanto, há manifesto demértio de Vágner neste lance. Maxi fazia várias “piscinas” à direita e, numa das muitas incursões a zonas mais adiantadas do terreno, sofreu penalti claro de Sparagna. O que se seguia era mais um momento tecnológico: o que à vista desarmada pareceu um remate em jeito de escorregão de Sérgio Oliveira, foi demonstrado pelo vídeo como uma ilegalidade por dois toques na bola no momento da execução. Algo ingrato para o português, cujos festejos com Sérgio Conceição, mostravam o culminar de uma história que se tinha iniciado na semana anterior no momento infeliz de Brahimi. O FC Porto venceu, festejou e despediu-se dos seus adeptos. Mas por pouco tempo, porque a paragem não significa férias. Tiquinho e Danilo poderão estar de volta no retomar da Liga e isso são ótimas notícias para os Dragões. Porque o campeonato precisa de um vencedor, e o Porto precisa dos seus melhores jogadores. Segue-se o Belenenses, em Belém!

HOMENAGEM A PEYROTEO COM GOLOS DOS CRAQUES



O Sporting tinha aterrado em Lisboa na manhã de 6ª feira, após 120 minutos carregados de esforço físico pelas péssimas condições do relvado, mas também cheios de emoção pelos momentos difíceis que os leões viveram ao longo do jogo frente ao Plzen. No entanto, o final tinha sido feliz e o momento era de olhar para a competição interna. O Rio Ave era o adversário e o Sporting tinha de mostrar que o cansaço não podia encontrar lugar em Alvalade, sob pena de hipotecar aquilo que muitos acreditam extremamente difícil: O título nacional. No entanto, é possível e essa velha máxima está presente na mente dos adeptos leoninos. Jesus não poupava os seus jogadores e lançava o 11 que muitos defendem como a base da equipa leonina, excetuando Acuña que ficava no banco, dando lugar a Ruben Ribeiro. Como jogador do Rio Ave que foi, o treinador dos leões com certeza quis aproveitar o conhecimento do nº7 leonino para enfrentar os posicionamentos e movimentos táticos da equipa de Vila do Conde. O Sporting entrou em campo decidido a esconder mazelas físicas e isso foi atingido. De tal forma que contagiou até os elementos de apoio ao jogo. Com agilidade e rapidez importantes, o apanha bolas deu rapidamente a bola a Piccini que a repôs com velocidade dando início ao desequilíbrio que deu origem ao 1º golo da turma de Alvalade. Toque de primeira fantástico de Dost a servir Gelson vindo de trás que, tirando dois defesas de Vila do Conde com apenas um gesto, rematou cruzado sem hipótese para Cássio. Num jogo dominado pelas bolas no ferro, com Bruno Fernandes a chamar a si a principal responsabilidade desses momentos (um deles é um livre fabuloso), o Sporting só foi capaz de alargar a vantagem perto do fim, pelo inevitável Bas Dost. Inverteram-se os papeis, sendo que desta vez foi o jovem Gelson a servir o holandês para, de cabeça, fazer o 2-0 e fechar a partida. Nota ainda para a estreia de Wendel, bastante aplaudido pelas bancadas de Alvalade. Os adeptos não esquecem os augúrios feitos à qualidade do jovem brasileiro e, estes minutos dados por Jesus, apesar de poucos, podem ser um bom pronúncio para ver o canarinho mais vezes em campo. O que aí vem não nada fácil. O próximo jogo é em casa do fantástico Braga que tem goleado os seus adversários, tem praticado excelente futebol e está sedento de apanhar os leões na classificação. 4 pontos separam as duas equipas e podem passar a apenas 1! O Sporting continua a olhar para cima, porque é para a frente que tem de olhar. Mas atrás de si está uma equipa que tem 6 vitórias nos últimos 6 jogos, 20 golos marcados e apenas 3 sofridos. O Braga está numa forma brutal e o desafio não se afigura nada fácil. O campeonato vai parar, mas não vai dar descanso!

Um Abraço,
C9


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