26ª JORNADA: LIGA TOTAL!


Como adeptos de futebol, insistimos em ter certezas absolutas neste desporto. A história já nos deu várias chapadas de luva branca, mas nós em vez de aprendermos, insistimos em ter plenas garantias. É certo que a nossa Liga é desequilibrada. Eu diria de desequilíbrio em tudo: em orçamentos, na qualidade dos jogadores, na afluência de público, na cobertura mediática, no peso nas decisões da Liga, enfim… basta olhar para a classificação. Os “grandes” lá em cima, o Braga à espreita e depois um fosso para os restantes que começa nos 18 pontos, 22 para Sporting, 25 para Benfica e termina nos 27 para o líder, Porto. Se me permitem, acrescentaria mais dados que acentuam e corroboram esta linha de pensamento: Os 4 primeiros são os únicos com goal average positivo, o meritório Rio Ave tem o saldo nulo e daí para baixo é uma sucessão de negativos. Jonas tem tantos ou mais golos que mais de metade das equipas da Liga, Bas Dost e Marega marcam mais sozinhos que todo o plantel de Moreirense ou Belenenses… é impressionante. O FC Porto, não contabilizando a deslocação a Paços, marcou pelo menos tantos golos fora nos últimos 2 jogos que Marítimo, Feirense e Belenenses em todo o seu campeonato fora de portas. Chega? Não, não chega para ter certezas absolutas. Por muito grande que seja a distância, por mais fossos que se cavem, há sempre mais 14 equipas que trabalham diariamente pelos seus objetivos, pelos seus adeptos, pelas suas cidades, pelas suas regiões. Este fim-de-semana, aconteceu em Paços.

 VERGONHA PARA CONCEIÇÃO, BRIO E SUOR PARA HENRIQUES


Seria o 35º jogo do Porto em competições internas esta época. A posição do Paços abria confortáveis expectativas de quem era lanterna vermelha a gigantes 46 pontos de distância, para um Porto que não sabia o que era perder. É certo que um furacão abatia-se sobre o nosso País, o Porto tinha muitas baixas, mas não era esperado que no final do jogo os dragões não somassem a conta a que estão habituados: 3. Sem os lesionados Alex Telles, Danilo, Tiquinho e Marega, e o castigado Herrera, o Porto não sentia dificuldades com a perda de jogadores nucleares. Porque surgiu um Ségio Oliveira para Danilo, um Dalot para Alex Telles, um Tiquinho para Aboubakar, muitas e boas opções trabalhadas por Sérgio Conceição, não tenhamos a menor dúvida. Mas… André André não é Herrera e Waris não é Marega. E a produção do Porto na primeira parte teve o reflexo dessas ausências. Embora sem chances de perigo para os castores, o Porto não tinha a mesma capacidade ofensiva, a mesma pressão alta, a mesma velocidade. O Paços foi solidário a defender e foi progressivamente procurando qualquer coisa em zonas mais adiantadas. E a sequência de uma bola parada foi aquilo que encontraram para bater Casillas. Passava pouco mais de meia hora de jogo e o central Miguel Vieira aparecia rápido ao primeiro poste para desviar cruzamento tenso de Filipe Ferreira. O Paços estava na frente, Sérgio sacodia a água do rosto própria de quem está à chuva, batia palmas e pedia ânimo aos seus pupilos. O intervalo chegou, e o Porto foi em desvantagem para os balneários. A 2ª parte foi uma metáfora de um cidadão com pressa para chegar ao seu destino, no meio de um trânsito em hora de ponta. Autêntico pára, arranca, pára, arranca interminável! O Porto tinha tanto de ineficácia como os jogadores do Paços tinham de súbitas lesões. Os minutos passavam, Sérgio mexia para atirar o seu 11 cada vez mais para a frente, e o Paços defendia com o que tinha e o que não tinha, com o que podia. Porque Bruno Paixão disse que podia. O Porto teve um penalty por Brahimi que não foi competente, Mário Felgueiras estava lá. Falhou muitas oportunidades e o resto é história. Mas Bruno Paixão deixou. Deixou porque a Liga deixa, porque a UEFA e a FIFA ainda não disseram que não se pode. Não quero alongar-me muito porque certamente voltarei a falar no assunto brevemente, mas arranjem uma solução para as paragens, parem o relógio, mostrem cartões amarelos, vermelhos, azuis, mas façam qualquer coisa depressa. Estão a matar o espetáculo. A vergonha não é de João Henriques ou do Paços que luta com as armas que tem, e vai onde o deixam ir. A vergonha é de quem rege este desporto e olha para ele assim há já demasiado tempo. A pensar…

BENFICA METE A 6ª!


O Benfica joga cada vez melhor. Não há Krovinovic, Toto Salvio, e este fim-de-semana também não havia Pizzi, mas há cada vez mais Zivkovic e Jonas. Há tanto Jonas. O jogo era frente ao, até ver, favorito a finalista da Taça de Portugal. O Desportivo das Aves não parecia ser adversário preocupante para um Benfica a dar espetáculos e mais espetáculos carregados de golos na Catedral. Mas foi, até Jonas perder a paciência. À passagem do minuto 71´ lá estava o público do Estádio da Luz e o seu speaker a cantar a mesma música de sempre: “10… JONAS, 10… JONAS, 10… JONAS”! Intratável o brasileiro, 31º golo na Liga e Benfica liberto das amarras de um Aves que estava aguentar-se como podia. Foram inúmeras oportunidades de golo durante o jogo todo, perdidas incríveis de Zivkovic ou Rafa, mas a decisão passa sempre no por Jonas. Paulo Machado teve também grande oportunidade para colocar os Avenses em vantagem mas… é incontornável: quem manda, quem decide é Jonas. Apareceu, meteu o Benfica em vantagem, respirou de alívio, logo de seguida veio o jovem Ruben Dias e o Benfica metia a 6ª vitória consecutiva na Liga. Está cada vez mais perto do Porto, 2 pontos apenas. No seu horizonte vê a visita dos Dragões, e vê Alvalade logo ali do outro lado da 2ª circular. O Porto é líder, depende de si. Mas o Benfica também… 14 ou 15 de Abril, que pensar? O país vai parar.

A CHAVE ESTAVA NO BOLSO DE BAS DOST!


O Sporting saiu do Dragão a 8 pontos e viu-se de fora de praticamente todos os cenários do título projetados por toda a gente, até pelos mais fervorosos e crentes. Se o Porto não tinha perdido nenhum jogo em 34, iria perder 3 em 9 na reta final? Bom… 1 já perdeu. O Sporting viu isso, e foi para Chaves à procura de chegar um pouco mais perto dos da frente. Com muitos nomes inscritos no boletim clínico, como Coentrão, Piccini, Doumbia ou Rafael Leão, e sem os castigados Acuña e o enorme Bruno Fernandes, os verde e brancos iam a Trás-os-Montes enfrentar uma equipa muito bem trabalhada por Luís Castro. Os ausentes já referi, mas a nota vai para o regresso: Bas Dost começava no banco, mas estava de volta aos convocados e isso era bom sinal para Jorge Jesus. Era e foi. Depois de uma primeira parte muitíssimo equilibrada, com muito e bom Chaves, a 2ª metade iria ter que ter a entrada do gigante holandês. Ele entrou e vinha com a chave da partida no bolso. 5 minutos chegaram para subir mais alto, ao 2º poste, e desviar um bom cruzamento de Ruben Ribeiro. Impressionante para quem esteve 18 dias de fora, entrar e num piscar de olhos mostrar a sua importância para os companheiros. O Chaves nunca foi fácil, em momento algum, mas Bas Dost deu a vantagem que os leões tanto ansiavam. Se Bas Dost foi e é incontornavelmente valioso para os comandados de Jesus, quem é voluntarioso, importante e fez uma grande partida foi o argentino Battaglia. Há 1 ano estava precisamente em Chaves, mas este ano foi de verde e branco que, a defesa direito, fez uma grande prestação na vitória dos leões. Correu bastante, esteve defensivamente muito sólido para terrenos que não está nada habituado a pisar e, ofensivamente, foi fantástico na pressão e no apoio a Gelson. E foi perto do fim, aos 86’, que correu 70 metros, pressionou o Chaves na saída de bola, recuperou o esférico a Platiny e deu tudo e mais alguma coisa que Bas Dost precisasse para festejar o golo.  O Sporting relaxava e tranquilizava-se mas por pouco tempo, não fosse Coates a cometer grande penalidade desnecessária em cima do minuto 90. O Sporting segurou a importante vantagem mínima e venceu um Chaves valoroso, bem orientado, que jogou de igual para igual com o Sporting e fez Rui Patrício brilhar. Mérito também para os leões, que na mistura de viagens europeias e lesões, vai se mantendo à tona no oceano de possibilidades do título.

Um Abraço,
C9

Comments

Popular posts from this blog

10 JORNADAS, 10 DESTAQUES!

"O RECOLHER DOS ILUSTRES": A FINAL DE SONHO

MUITO MAIS DO QUE UM JOGO!