10 TREINADORES EM 10 FRASES
| SÉRGIO CONCEIÇÃO, O FRONTAL
“Com Scolari... Estive nove meses, mas a primeira reunião dos capitães - eu, Couto, Figo e Rui Costa - foi suficiente para o entender. Chamou-nos à parte e disse-nos que estava ali para treinar a Selecção e dar o salto para um grande europeu. Mas estamos a brincar ou quê? Mas que é isto? Um homem na Selecção, que deve ser um privilégio, o maior privilégio, e ele só pensava em sair para um grande da Europa. Mas brincamos ou quê? Falava em seriedade e disciplina. Aliás, afastou carismáticos, como Baía e João Pinto, com base na disciplina. Isso é tudo muito bonito, mas ele não aplicava a regra. Nos almoços da Selecção, a mesa dos jogadores é sempre maior que a dos treinadores, porque há mais jogadores que treinadores. Com o Scolari, não! A nossa tinha 18/20 pessoas. A dele era maior. Mas estamos a brincar? Mas estamos onde? Ele levava os amigos brasileiros, os amiguinhos da Nike. Sim, porque ele é patrocinado pela Nike e entre um jogador da Nike e um da Adidas, escolhia sempre o da Nike. Mas depois, lá vinha com a lengalenga da disciplina. Então mas eu, que nasci em Coimbra, em Portugal, deixo-me ficar? Numa situação destas, deixo de agir? Mas estamos onde, pá? Que é isto? Ele ganhou o quê? Foi a uma final em casa e perdeu-a (Euro-04). Mas há mais. O Dr. Merdaíl. Enganei-me. É Madaíl, Madaíl. Depois do fiasco do Mundial-02 (Portugal eliminado na fase de grupos por EUA e Coreia do Sul), escondeu-se atrás de uma carcaça, atrás de um campeão do mundo (o Brasil venceu esse Mundial-02, com Scolari a seleccionador). Isso é atirar areia para os olhos dos outros. Desculpe lá, mas apetece-me partir a loiça toda. Nasci aí, em Portugal, e não aceito que arruínem o nosso futebol.”
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RUI VITÓRIA, O AFÁVEL
"Há
alguns anos que ouvia falar muito bem do Rui Vitória, porque o presidente do
Fátima era o Padre Pereira, que é da nossa zona. A dada altura, fomos analisar
a carreira dele e percebemos que reunia as características que pretendíamos.
Depois há uma história que motiva sempre brincadeiras. Após termos tudo
acertado, ele e os adjuntos vieram a Paços de Ferreira e no primeiro jantar que
tivemos eu pedi de entrada umas tripas e eles ficaram a olhar para aquilo. Ele
e os adjuntos queriam beber água, mas eu avisei logo que "para serem
treinadores do Paços têm de comer comidas fortes e beber do nosso verde do
bom". E correu tão bem que quando saíram aqui do Norte já deitavam o vinho
para o copo a um metro de alto."
JORGE JESUS, O AUTÊNTICO
“Quando fui para o Cova da Piedade, trabalhava como soldador numa
empresa durante o dia e depois ia treinar a seguir para a Margem Sul. Um dia, a minha mãe estava a
dar-me uma sopa e caí com a cabeça dentro do prato porque adormeci e o meu pai
disse-me que não podia ser, que tinha de escolher entre o trabalho e o futebol. Foi
então que decidi ser jogador”
ABEL, O CORPORATIVO
"Ele é novo, tem 39 anos, tem uma grande vida pela frente. Com 39 anos esta é a sua primeira época, ninguém fala nisso, esquecem-se, está em quarto lugar e sempre a arranhar as canelas dos terceiros lugares. O Abel é um homem que dá importância à sua equipa técnica, não é ditador."
JOSÉ COUCEIRO, O INSTRUÍDO
"Com regularidade
fazíamos reuniões com a presidente, era uma senhora. É economista e via os
jogos por números. Numa das reuniões ela disse-me, "José, a equipa está a
jogar muito para trás". Perguntei-lhe porquê. E ela diz, porque o
Pavlyuchenko fez muitos mais passes para trás do que para a frente. Tentei
explicar-lhe que o Pavlyuchenko era o nosso pivot ofensivo, que quando jogamos
com um pivot daquele género a tabelar, é evidente que ele tem uma percentagem
de passos para trás ou para os laterais grande. Quando ele passa a bola para a
frente é porque normalmente vai chutar à baliza. Eu não conseguia convencê-la
porque ela agarrava-se aos números. Eu insistia, quando ele joga para a frente
é para chutar à baliza, e isso tem a ver com o número de remates dele. Ela
nada. Até que me lembrei. "Oh presidente veja lá se o Guilherme não joga
sempre para a frente?". Ela foi ver. O Guilherme é guarda-redes, portanto,
obviamente que ele joga sempre para a frente, se jogar para trás faz pontapé de
canto ou autogolo. Ela viu os números do Guilherme e eu rematei: “Está a ver
como jogamos sempre para a frente?” A reunião acabou ali e nunca mais me chatearam
com a história da equipa jogar para trás. Como disse, o entendimento do jogo é
fundamental, não é só agarrar numa série de números e despejar para cima de
nós."
LUÍS CASTRO, O PROFESSOR
"Com 21 anos já era capitão do União de Leiria. Em Guimarães, como não jogava, era capitão das reservas. Depois fui para Elvas e fui capitão do Elvas na 1ª Liga. Acho que um capitão é um treinador. Habituei-me desde muito cedo a liderar e senti que podia ser. Quando terminei, aos 35 anos... Quer dizer, antes já tinha tido uma aventura com os sub-13 do Águeda e gostei muito, e também tinha sido assistente enquanto jogador, porque os clubes tinham menos capacidades e ainda havia aquela coisa de ajudar. Ainda hoje tenho residência em Águeda, vivi lá durante muitos anos da minha vida de jogador, inclusivamente com períodos muito difíceis. Cheguei a ter de ir, enquanto capitão, à procura de um presidente para o clube. Não tínhamos direção e eu era capitão, orientava o treino, era tudo . As dificuldades ajudam a que apareçam coisas novas em nós. Aos 35 anos, quando terminei a carreira de jogador, comecei de forma efetiva como treinador. Foi aí que começou o meu caminho, pelas várias divisões, porque percorri-as todas até chegar à 1ª Liga.”
NUNO MANTA, O ESTRATEGA
“Numa palestra, já há uns anos, só
escrevi 10 nomes e um a letras mínimas. 'Falta um', diziam. 'Está aqui',
apontei. 'Não se consegue ler', reclamaram. E lá expliquei que era o Dioguinho,
mas como não andava a jogar nada também não se via na convocatória. Acabou por
fazer um bom jogo, marcou um golo. São estratégias motivacionais, o mais
difícil no futebol. Não há dois jogadores iguais. Gritar ou dar uma ordem dura
a um atleta pode resultar num jogador e ter efeito contrário com o colega ao
lado.”
PETIT, O VALENTE
"Os jogadores têm de se lembrar que sempre sonharam ser
jogadores de futebol, jogar numa I Liga e serem reconhecidos. E eles não podiam
deixar de acreditar que podíamos ficar na I Liga. Muitas vezes, temos de nos
lembrar que estamos mais vezes entre nós do que com as nossas famílias, e que
os familiares sofrem com aquilo que estamos a fazer. Eu nunca iria deixá-los
desistir, independentemente do que tivesse acontecido nos últimos jogos. E
tínhamos de lutar até não termos mais forças. Até não termos mais sangue.
Felizmente, eles acabaram a época com bastante sangue. Era uma equipa
com grande intensidade, que acreditava no que estava a fazer. E a minha
mensagem era que nunca os ia deixar desistir."
PEPA, O VERDADEIRO
"Quando agentes me ligam, digo para falarem com o diretor ou com o
presidente. Sou assim. Se calhar, há treinadores que falam, que vão almoçar com
jornalistas... Estou-me a borrifar para isso. Querem rasgar-me? Rasguem-me à
vontade. Se me der, dou, mas que seja natural, não com segundas intenções.
Quando fomos ganhar a Paços, os jornalistas daqui disseram: “Ó mister, se
ganharmos vamos comer uma chouriça.” Pronto, mas já estamos juntos em
conferências há um ano. Não é por favores. Comigo isso não existe."
VÍTOR OLIVEIRA, O EXEMPLO
"Houve fases em que, como todos os
treinadores, também aspirava a ter a possibilidade de chegar a um grande. Mas
não cheguei. Provavelmente é verdade que haveria pessoas mais competentes do
que eu nessas alturas para assumir essas equipas. Mas não tenho qualquer mágoa
nem nunca fiquei a pensar que poderia ter sido eu e porque é que foi aquele.
Nunca tive grandes expectativas. E a verdade é que trabalhei sempre onde quis.
Foi uma das grandes virtudes que tive na carreira. Nunca estive em lado nenhum
contrariado. Isso manteve-me sempre feliz no futebol, porque quando trabalhamos
onde queremos, fazemos o que gostamos e ainda por cima somos bem pagos, penso
que é muito bom para qualquer pessoa que trabalhe. Eu tive essa felicidade. E
onde não gostava de estar ia-me embora. Fiz sempre contratos de um ano e
provavelmente essa foi uma das razões: para poder estar a trabalhar onde me
sentisse bem. Porque com um contrato de um ano, podemos avaliar se estamos
todos satisfeitos e renovar. Sem problemas, E eu já renovei vários contratos e
inclusive já saí e já voltei a alguns clubes. Mas quando uma das partes não
está satisfeita, acaba o contrato e cada uma das partes segue o seu caminho."
Um Abraço,
C9
Nota: Excertos retirados de publicações do blog Paixão pelo porto, Diário de Notícias, Observador, Relvado, Tribuna Expresso e Maisfutebol








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