TIQUINHO DERRUBA MURALHA DE JESUS À CABEÇADA





Porto e Sporting defrontavam-se pela 3ª vez esta época, sob o desígnio de equipas que tinham, e têm, à sua responsabilidade tomar conta das competições nacionais. Sem desprimor para o Benfica mas, de facto, desde a Taça da Liga, à Taça de Portugal, passando obviamente pela disputa constante dos dois primeiros lugares do Campeonato, Porto e Sporting têm estado sempre juntos. Ontem reuniram-se mais uma vez, num jogo que os adeptos esperavam que saísse do 0-0, tivesse menos amarras e que se pudesse ver aquilo que o futebol tem de mais apaixonante: jogadas bem trabalhadas, virtuosismo das estrelas e, claro, a bolinha a beijar a rede.

O F. C. Porto:


Para desatar o nó do empate, Sergio Conceição foi fiel às suas convicções. Um quarteto defensivo sólido onde se vem destacando Reyes cujas exibições não permitem ter saudades de Marcano e, acreditem, são mesmo grandes exibições do mexicano, porque Marcano é dono e senhor da posição e um elemento difícil de substituir. Dois laterais de grande projeção ofensiva, estando à esquerda um Alex Telles de regra e esquadro nos pés e, à direita, Ricardo Pereira com motor nas botas. A zona média foi entregue a dois homens que sabem fazer tudo, desde o necessário equilíbrio defensivo, à ligação com os homens da frente. Se Herrera tem estado longe de levantar dúvidas quanto à sua competência, aqui destaca-se Sergio Oliveira que tem sabido aproveitar as oportunidades que Sergio Conceição tem dado e ganha cada vez mais lógica a sua integração na equipa principal dos Dragões. Na frente os suspeitos do costume, Brahimi no papel de feiticeiro, Marega em exercícios de velocidade aproveitado as costas da defesa, Corona em diagonais diabólicas abrindo o corredor a Ricardo Pereira e... Tiquinho Soares. Com Aboubakar na bancada, admitindo-se a necessária gestão de esforço de uma equipa em atividade de 3 em 3 dias, Sergio Conceição apostou em Soares, deixando para trás o episódio de Braga, como que dizendo ao Brasileiro que conta com ele e, de facto Soares contou mesmo.

O Sporting C. P.:


Jesus tinha outras ideias e tratou de montar a equipa com defesas e mais defesas, trancas, barreiras e outras que tais para que o Sporting, na sua ideia, não sofresse golos, controlasse o poderoso quarteto ofensivo do Porto e saísse do Dragão com um resultado que permitisse abrir um pouco a porta do Jamor. Então, o que Jesus fez concretamente? Muito bem, com William na bancada, lançou os habituais 4 defesas e acrescentou Ristovski numa linha de 3 centrais e dois alas defensivos. E, como se não fosse suficiente, ainda disse a Acuña para não se aventurar nem se afastar muito de Coentrão, bem como a Battaglia para não sair muito de perto de Coates e Mathieu. Além disto, sobrava um Bruno Fernandes (como admiro este jogador), Gelson vindo de lesão e Doumbia à procura de ritmo, como jogadores que talvez pudessem inventar qualquer coisa no contra-ataque (desculpa Mister Jesus, contragolpe!). Numa altura em que se vê camiões de comentadores e autocarros de programas de “análise”, parafraseando esses catedráticos, o Sporting mudou a sua “identidade” e “modelo de jogo” para visitar o Estádio do Dragão. Surpresa? Só se Jesus tivesse chegado ontem, porque estas surpresas em clássicos já são tradição para JJ.

O Jogo:


O jogo só podia ser de sentido único e o Porto fez com que isso se visse durante 90 minutos. Pressionantes como só os azuis e brancos conseguem ser, o Porto sufocou o Sporting desde o 1º minuto, não tendo receio de porventura poder estar a ser demasiado ousado ofensivamente, com possíveis consequências defensivas, que numa eliminatória a duas mãos tem um peso muito grande. Brahimi na cara do golo, Sérgio Oliveira de livre ao poste e muita posse de bola esbarravam em faltas e mais faltas, tentativas de saídas rápidas, e pouco mais, do Sporting. Ao intervalo, o 0-0 ia fazendo Jesus confiar que tinha feito uma boa abordagem ao jogo, sendo que do outro lado, apesar do empate, havia com certeza confiança que as coisas iam pender para a única equipa que procurava ganhar. A 2ª parte foi mais do mesmo, mas desta vez com uma diferença: Tiquinho Soares, num excelente golpe de cabeça, bateu Patrício e traduziu finalmente uma superioridade futebolística que não se viu só ontem. O brasileiro espantou o fantasma de Braga e fez aquilo que o clássico entre Porto e Sporting ainda não tinha tido. Por entre bem altos e repetidos “TIQUINHOOOO SOARES”, festejou-se finalmente um golo!

Nem com isso Jesus mudou o seu Sporting e, foi assistindo a um Porto instalado no seu meio-campo, controlando, dominando e procurando dilatar uma vantagem que só se manteve mínima graças a Patrício (São Patrício para os apaixonados). Defesa brutal do internacional português a cabeceamento de Tiquinho.

Critica:


O Porto venceu um Sporting que, de acordo com Jesus, é pragmático e joga parecido com a Juventus. Mas não basta parecer e estas ações só podem terminar no triste cenário que se viu ontem. Não me interpretem mal, o Porto jogou muito bem, mas o Sporting não pode ser assim. Em Camp Nou ainda se consegue perceber, mas internamente a sua dimensão não pode ter tamanha falta de confiança, que o leva a querer entrar fechado a 7 chaves.

Notas Finais:
Não posso terminar sem assinalar o momento técnico de Ricardo Pereira: para ele não bastou que Coentrão se ajoelhasse à sua passagem, teve mesmo que se deitar.

Um sublinhado para o regresso de Gelson que tanta falta faz e que ontem, a espaços, mostrou que tem uma qualidade técnica difícil de encontrar cá por estas bandas, num jogo que adicionou mais um nome à lista de cogitações de Fernando Santos para o Mundial: Sérgio Oliveira. É descabido? Venha daí a vossa opinião…


Um Abraço!

C9

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