JORNADA 22: UM LÍDER POR DIA!

JORNADA 22: UM LÍDER POR DIA!

 Numa corrida onde os 3 grandes permanecem confinados a 2 pontos de distância (o F. C. Porto ainda tem meio jogo em Estoril para mudar estas contas), cada jornada é mais uma etapa no caminho do título. Esta, em particular, afigurava-se um obstáculo de respeito, a julgar pelas difíceis deslocações de Porto e Benfica a Chaves e Portimão, estando aqui o Sporting teoricamente “liberto” de grandes problemas que pudessem surgir na receção ao aflito Feirense (8 derrotas em 11 deslocações). No entanto, em futebol é difícil acertar prognósticos. Se o Porto cedo fechou as contas em Chaves, Sporting e Benfica confirmaram a sua superioridade já em horário adiantado, curiosamente ao mesmo minuto 78, de bola parada.



“CERVIU” CERVI!

Em Portimão, Benfica encontraria uma difícil equipa, dotada de avançados de enorme valia como o japonês Nakajima ou o brasileiro Fabrício. Já sem o seu “maestro” Paulinho, que rumou a Norte, os de Portimão vinham extremamente moralizados pelos resultados recentes. Se em casa tinham batido o “poderoso” Rio Ave por expressivos 4-1, foi o jogo seguinte que confirmou o bom momento dos algarvios, com um impressionante 3-0 na Madeira frente ao Marítimo. Com bons reforços de Inverno, dos quais se destacam os jovens portistas Galeno e Fede Varela, os homens de Vítor Oliveira tinham justificadas aspirações a fazer uma surpresa ao Benfica. No entanto, a história foi outra. Se Jonas tem sido a estrela constante das águias, jornada após jornada, foi um argentino franzino e baixinho que tomou conta do espetáculo. Desde cedo, Cervi mostrou que seria dele a responsabilidade de dar ao Benfica mais 3 importante pontos na perseguição ao FC Porto. Aos 6 minutos, foi oportuno em aproveitar um mau corte da defensiva algarvia, transportando as águias para uma vantagem que podia ter sido mais dilatada ao intervalo. Com Salvio a juntar-se a Krovinovic nas ausências, foi Rafa e Cervi quem mais lutavam para que o Benfica tivesse uma viagem tranquila a Portimão. No entanto, a 2ª parte mostrou um hábito do Portimonense este ano: dar a volta a desvantagens no marcador. Com um ataque cujos pergaminhos só são superados pelos 3 grandes e o Sp. Braga, muito por culpa de Nakajima e Fabrício que totalizam 18 golos na Liga, os homens do sábio Vítor Oliveira vieram para cima e igualaram a partida, aproveitando fragilidades defensivas do Benfica em lances de bola parada. O jogo ganhava uma dimensão difícil para os da Luz que, no minuto anterior, viam a sua estrela maior, Jonas, abandonar o relvado em manifestas dificuldades físicas. No entanto, quando uma estrela cai, outra tem que se levantar e o Benfica precisava de outra estrela para resolver a contenda. E ali estava Cervi para aos 78’ fazer uma pintura e lançar o Benfica em definitivo para a vitória, num livre fabuloso. Confirmada em hora adiantada por Zivkovic, quem tem assumido bem a responsabilidade de substituir Krovinovic, o Benfica fechou a partida com a alegria de vencer um jogo muito difícil, embora com a tristeza de ver a lesão de Jonas, que embora não sendo grave, agita uma equipa que naturalmente tanta esperança deposita em quem já leva 25 golos e 6 assistências na Liga.

TIQUINHO ABRIU AS PORTAS COM AS CHAVES DO MESTRE OLIVEIRA

A norte, o Porto tinha um exame difícil frente a um Chaves orientado por alguém que conhece todos os cantos da casa do Dragão: Luís Castro. Conhecido por se recusar a defender incessantemente pontinhos frente aos grandes, o treinador dos flavienses encontrava um velho conhecido com quem partilhou rotinas durante uma década. Os dragões apresentavam-se sem 5 habituais titulares, por força das lesões já conhecidas de Marcano e Danilo, e das naturais rotações indispensáveis para quem joga de 3 em 3 dias: Brahimi, Ricardo Pereira e Aboubakar. Pode ser difícil colmatar tanto talento, mas essa tem sido uma das grandes valias do Porto este ano. Começando em Sérgio Oliveira, passando por Reyes e Tiquinho Soares, o Porto tem demonstrado que o seu plantel não se conforma com afirmações de que é curto e desprovido de soluções capazes de atacar todas as frentes. E o jogo começou cedo sob estes desígnios: recuperação de bola do suplente Otávio e finalização do suplente Tiquinho Soares, assistido pelo suplente (será?) Sérgio Oliveira. Se aos 15’ minutos o porto vencia, aos 30’ dilatava a vantagem em mais uma jogada de um banco que tem traços de luxo: jogada na direita de Maxi Pereira e finalização soberba de Tiquinho Soares. Mais uma afirmação de valor nas opções de Sérgio Conceição que insiste, e os factos vão fundamentando a sua razão, na confiança em todo o seu plantel. Os dragões iam para o intervalo seguros no marcador, correndo em pleno a natural estratégia de entrada forte em campo, chegar cedo ao golo, “resolver” a partida e juntar o melhor de dois mundos: rodar a equipa sem prejudicar a performance desportiva. Com Brahimi em tarde onde não foi preciso recorrer aos seus serviços, Marega fez o 16º tento na Liga, a passe de Otavio, e confirmou a sua posição de líder máximo dos goleadores do Porto no Campeonato, superando os 15 golos de Aboubakar. Em jornada que antecede a 1ª mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões frente ao poderoso Liverpool, o Porto descansava ao sabor dos 3-0, gerindo esforços e dando minutos a quem tem demonstrado valia vindo do banco. O jogo não podia terminar sem a confirmação de quem tem estado em grande evidência: Sérgio Oliveira. Com um soberbo remate a culminar uma jogada de mestre da formação portista, o médio fechou com chave de ouro a exibição dos dragões e confirmou o que para muitos já não pode ser ignorado. Sérgio Oliveira está em grande forma, numa equipa que com maior ou menor dificuldade, mantém-se firme na liderança do Campeonato.

FEIRA DE VARIEDADES IA CUSTANDO VITÓRIA AO SPORTING!

Teoricamente mais facilitada, a jornada para o Sporting resultava na receção ao Feirense que, não só está em dificuldades na tabela classificativa como demonstra sérias fragilidades jogando fora de casa. A juntar a este facto, encontrava um Sporting ferido pelos resultados recentes e sedento de, perante os seus adeptos, dar uma demonstração de poder e confiança com uma expressiva vitória carregada de nota artística. Com um 11 onde se destacavam as ausências de Coentrão, Acuña e o já saudoso Bas Dost, Jorge Jesus lançava Doumbia e Montero no ataque ao Feirense, juntamente com Gelson e Bryan Ruiz como elementos que assumiam o papel ofensivo do Sporting. E jogo foi carregado dessa tónica: ataques e mais ataques do leão, com sucessivas oportunidades de golo. No assalto à baliza dos azuis da Feira, Doumbia abriu a porta do cofre, para vê-la fechar-se inesperadamente, que se vinha a comprovar sem justificação plausível. O tempo ia passando e os leões não materializavam tamanha superioridade perante o seu adversário. A espaços, o Feirense ia dando mostras de que podia fazer surpresa, com bons atrevimentos de Edson Farias e João Silva. O 0-0 ao intervalo obrigava Jesus a carregar nas soluções ofensivas. Se o plantel tem saudades de Bas Dost, o clube tem equipa B e academia para alguma coisa e, no banco, estava um menino de 18 anos a quem muitos pintam um futuro brilhante. Carregando o espírito do Sporting no nome, Rafael Leão estreava-se pela equipa sénior, num cenário de procura incessante por um golo que desse tranquilidade aos verde e brancos. Aos 78’ já nada nem ninguém pôde impedir o Sporting de festejar o golo e William Carvalho foi o responsável por desviar para a baliza uma bola que sobrava na pequena área do Feirense. Respiravam de alívio os sócios e adeptos dos leões num jogo onde, embora não querendo acreditar, já muitos pensavam num frustrante empate. Confirmada já no fim por Montero, o Sporting venceu o Feirense e manteve a sua posição na perseguição ao líder Porto.

Um abraço,

C9

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