24ª JORNADA: O TÍTULO À DISTÂNCIA DE 10 JOGOS!

Mais uma jornada que se conclui, e os grandes continuam sem cessar. A norte, o Benfica cumpriu ao cair do pano. Ao centro, o Sporting caminhava para um empate surpreendente, mas no último suspiro apareceu Rafael Leão e Gelson Martins. A sul, todos gostam de um passeio em terras algarvias, e o Porto não foi exceção.

MAIS UM DIA TRANQUILO DE TRABALHO


Com meio jogo cumprido na passada 4ª feira no Estoril, Sérgio Conceição tinha informado em conferência de imprensa que os Dragões seguiriam de imediato para Portimão. Com apenas 4 dias para preparar o jogo com o Portimonense, os dragões rumaram diretos para sul do país por forma a preparar da melhor forma uma jornada que se afigurava difícil, por várias razões. Num calendário carregado de jogos fruto da boa campanha do Porto em todas as competições, a visita a Portimão significava jogar contra o melhor ataque da Liga excluindo os 3 grandes e o Braga, onde jogadores como Nakajima e Fabrício são quebra-cabeças para qualquer defensiva da Liga Portuguesa. Ambos totalizam 20 golos e 8 assistências na sua época de estreia na Liga, e o Porto teria de estar alerta para as movimentações ofensivas dos alvinegros algarvios. Comandados por uma “velha raposa” do futebol português”, Vítor Oliveira, o Portimonense estava confiante. Apesar de ter sido derrotado pelo Benfica na sua última partida caseira, a réplica demonstrada nesse jogo dava confiança nas hipóteses de conquista de um bom resultado frente ao líder do campeonato. No entanto, este Porto está verdadeiramente intratável e “passou a ferro” mais um adversário. Se foram 4 golos sem resposta em Chaves e 5 no Dragão frente ao Rio Ave, o Porto não consegue tirar o pé do acelerador e repetiu a dose em Portimão. Com entradas fulgurantes em jogo, 16’ chegaram para faturar por 2x e tirar qualquer aspiração que pudesse existir na mente dos algarvios. Primeiro Marega, depois Otávio, permitiram que o Porto vá juntando argumentos para descredibilizar qualquer dúvida da sua valia futebolística e do seu merecimento por estar onde está. Se esses não chegavam, Marega tratou de acrescentar mais um ainda antes do intervalo, seguindo-se Soares e Brahimi para, em pouco mais de 1h de jogo, o Porto estar a vencer por claríssimos 5-0. Que dizer de Sérgio Conceição e da sua equipa que, jornada após jornada, vai afastando qualquer premonição dos rivais de quebra de forma, mudança de ciclo, ou alteração de rendimento. A sua equipa não vai apenas vencendo. Entre lesões, os Dragões vão goleando tudo o que lhes aparece à frente. Com jovens à mistura, porque Dalot está aí. Esta 6ª feira há novo jogo. O Sporting é o visitante no Dragão e o jogo é de título.

O BENFICA SONHA, JONAS QUER … A OBRA PODE NASCE?


Em ano de possível penta, e de início extremamente atribulado, o Benfica está na luta. Entre derrotas copiosas e alterações táticas, o que é certo é que os encarnados, meritoriamente estão na disputa por algo soberbo e inédito: o penta-campeonato. De visita à Capital do Móvel, Rui Vitória, Jonas e companhia procuravam somar mais 3 pontos na véspera do clássico rival que poderá ser decisivo nos destinos do título, e que poderá aproximar os encarnados da liderança ou isolá-los na 2ª posição. Por sua vez, o Paços de Ferreira vive momentos conturbados. Numa senda 2017/2018 que já viu cair dois treinadores, Vasco Seabra e Petit, cabe a João Henriques afastar o mais depressa possível os fantasmas da descida para os pacenses. Vindo de excelente trabalho ao serviço do Leixões, o ex-Adjunto de Daniel Kennedy até começou bem a sua estadia no Paços. Com 2 vitórias e 1 empate nos primeiros 3 jogos sob o comando de João Henriques, a equipa da Capital do Móvel vinha de 3 derrotas consecutivas, procurando na receção a um grande a galvanização que naturalmente se sente quando se é visitado por um grande. E essa superação foi bem patente em grande parte da partida. O Paços entrou forte e personalizado frente ao Benfica. Com taxa 0 de erros e perigoso no ataque, os pacenses adiantaram-se no marcador e mostraram que aquele podia ser o momento de viragem num caminho carregado de percalços. Orquestrados pelo experiente Ruben Micael, a equipa pressionou o Benfica e sinal desse facto chegou cedo. Xavier roubou a bola a Grimaldo em zona adiantada, embalou pelo flanco direito do ataque dos castores, e serviu o brasileiro Luiz Phellype para o golo do Paços de Ferreira. Sem Salvio e por um bom tempo e Krovinovic por muito mais, os encarnados abanaram e preocuparam a nação benfiquista. No entanto, há Jonas e quando há Jonas a vitória está sempre mais perto. Parecia difícil de alcançar mas, aos 72’ e aos 88’, o brasileiro olhou para a bancada dos “grupos organizados de adeptos do Benfica” e pediu calma, pois ele estava lá. Rafa confirmou em cima da hora a vitória benfiquista, mas Jonas já tinha feito sentir a sua presença. Continua a marcar, conta 27 golos na Liga e muito embora não seja um jovem e o corpo já se ressente, a qualidade é tanta que poucos lhe fazem sombra na atualidade. O Benfica segue na perseguição ao rival FC Porto, mantendo um único foco: vencer tudo até à grande receção aos dragões! Aí, a discussão será cara-a-cara!

“CU BO TI FIM DE MUNDO RB 35“


Carregado de indisponíveis, fruto de síndrome gripal, e adicionando Mathieu castigado e o bombardeiro Dost lesionado, o Sporting tinha poucas opções para enfrentar o Moreirense. Se o 11 já demonstrava esse cenário, com Battaglia a fazer a ala direita defensiva, Acuña a ala esquerda e Petrovic o lugar de pivot defensivo, era no banco que se via verdadeiramente a razia, com Misic, Wendel e Rafael Leão por estrear. Mas nada disto merecia desconforto para ninguém, porque o jogo era em Alvalade, o Sporting tem vasto plantel carregado de investimento (Wendel custou 7,5 milhões de euros) e do outro lado estava o lanterna vermelha da Liga, o Moreirense. O que na 1ª parte podia ter ficado resolvido por Bruno Fernandes, Gelson, Doumbia ou André Pinto, permaneceu no 0-0. E o Moreirense foi acreditando, porque mantinha a sua baliza inviolada e porque criava também perigo. Saídos do intervalo, os Cónegos provocaram o pânico quando Aouacheria marcou, tendo sido de imediato anulado corretamente pelo VAR por mão na bola do franco-argelino. Embora Gelson tivesse estado na cara do golo, os Cónegos tiveram nova excelente oportunidade quando André Micael voou ao 1º poste e fez Patrício mostrar que é fantástico! Depois, e já com 10 por expulsão de Petrovic que gerou contestação, os leões estavam em dificuldades e, com a fadiga própria de quem joga quase dia sim, dia não, tudo apontava para um cenário negro. Mas o Sporting foi até ao fim, embalado por um menino de 18 anos que arrancou, passou por 2 adversários, e serviu Gelson que disparou cruzado e foi feliz no desvio para bater o Moreirense. Rafael Leão não mostrou tudo, mas aquele momento e o embalo que traz da Youth League e das equipas de formação do Sporting, demonstram que está ali um verdadeiro diamante. É tão forte fisicamente para a idade, como explosivo e rápido. E tem aquela ginga e malandrice que faz os adeptos entusiasmarem-se quando toca na bola.
O título não explica o jogo que se passou, não espelha os factos ocorridos nem muito menos transmite os momentos que Sporting e Moreirense vivem nesta altura da época. Mas explica o sentimento de Gelson Martins – “Estou contigo até ao fim do Mundo RS35!”. O Sporting estava com menos uma unidade, o empate estava à distância de poucos minutos, o Porto ficaria a 7 pontos em vésperas de visita ao estádio do Dragão. Gelson é mágico e aos 92 minutos meteu o Sporting na frente e a emoção falou mais alto. Desde muito pequeno que convive como irmão com Ruben Semedo. Para quem não sabe, com 13 anos Gelson era uma criança que jogava no modestíssimo Futebol Benfica. Com ele estavam dois outros que iam também crescer muito: Ricardo Pereira e… Rúben Semedo. Os 3 foram juntos para o Sporting e permaneceram juntos durante toda a formação, excetuando “Ricardinho”, como era conhecido, que saiu de Alvalade aos 17 anos rumo à Naval 1º de Maio. Mas Gelson e Rúben permaneceram juntos. Isto tudo passou pela cabeça do jovem de 22 anos. Ser a estrela de um clube grande tem muita responsabilidade, mas Gelson deixou falar a emoção, não conseguiu segurar os sentimentos e teve de mostrar a todos que aquele grande momento era para o seu irmão Rúben Semedo, que passa por momentos extremamente difíceis. Ao tirar a camisola para a homenagem, Gelson levou o 2º amarelo e consequente vermelho, hipotecando a hipótese de marcar presença no Dragão num jogo que todos os sportinguistas olhariam para ele como a principal estrela da esperança verde e branca.
O Sporting venceu, apesar dos assobios até esse momento chegar, vivamente criticados por Jorge Jesus. O Dragão está aí à porta, não há Gelson, Bas Dost está em dúvida, e o Sporting tem o campeonato em jogo. Que farão os leões? O coração pode ver-se nestas alturas, aquelas que todos os adeptos esperam que ele surja!

Um Abraço,

C9

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