Ronaldinho é alegria de jogar futebol


Se há carreira que dá gosto falar sobre ela, se existe jogador no Mundo que dê maior prazer escrever sobre ele, esse alguém é Ronaldinho Gaúcho. 

O diminutivo pode indiciar pequenez, mas também carinho e intimidade. E por Ronaldinho todos sentiam isso, porque cada toque que dava na bola era apaixonante. Ninguém nunca imaginava o que poderia sair dali antes, mas depois comentava eternamente a jogada, replicava na escola, recordava na rua ou no bairro, passava a eterno. Ronaldinho é e sempre será isso, alegria de jogar futebol.

Começou no Grémio e aos 17 anos já jogava na 1ª equipa. O talento era grande, a habilidade era incrível e tão natural que os enormes obstáculos que um jovem jogador enfrenta no início da sua carreira foram desde cedo pequenos e ultrapassados com distinção pelo craque. Foi campeão estadual, campeão do mundo sub-17 e melhor jogador do torneio, humilhou Dunga em pleno clássico gaúcho, por isso com 17 anos, o que era grande tornava-se banal e incomparável ao lado de Ronaldinho. Ninguém ficou indiferente.

Aos 19 anos, o menino era chamado para a Seleção Brasileira por Vanderlei Luxemburgo. O Brasil jogava frente à Venezuela e Ronaldinho faria parte dos convocados. O que aconteceu foi como que saído de um sonho. No 1º jogo pelo seu país, no 1º toque na bola, Ronaldinho faz um chapéu sobre o defesa, recebe do outro lado e bate o guarda redes.
Que dizer?
Nada!
Eu tentei descrever da melhor forma, mas não há palavras que possam explicar o que se passou naquele momento. Façam como eu, vejam o vídeo porque para perceber com exatidão o que Ronaldinho fazia, e sentirem na pele a emoção das suas jogadas, só vendo e revendo porque não tem explicação.

Em 2001, com 21 anos, Ronaldinho veio para a Europa e trouxe com ele o seu samba. O Paris Saint-Germain era o seu palco, e Ronaldinho continuava a fazer do jogo a sua festa. Parecia uma brincadeira, cada adversário era um convidado do seu espetáculo e cada pessoa que estivesse a assistir era um privilegiado porque Ronaldinho fazia coisas únicas. O seu treinador, Luis Fernandez, criticou duramente a sua atitude, acusando-o de individualista, de só jogar com determinação em jogos grandes, de mau comportamento e pouco profissionalismo. 

Mas Ronaldinho continuava do seu jeito, sempre a rir. De tal forma que em 2002 foi Campeão do Mundo e disse que em Paris não jogava mais. A sua missão passou a ser outra. Um gigante passava por dificuldades, desportivas e financeiras e era necessário alguém capaz de mudar essa conjuntura catastrófica. O gigante era o Barcelona e esse alguém capaz de mudar esse cenário era Ronaldinho. Chegou e o Barcelona mudou. O clube voltou, foi Bi-campeão espanhol, venceu a Champions League e Ronaldinho atingiu o auge. E o seu auge foi de chorar por mais. De tal forma que para o Santiago Bernabéu aplaudi-lo de pé em pleno Clássico foi porque era inevitável não amar o seu talento, Ronaldinho era um espetáculo dentro do jogo.

Daí seguiram-se anos menos bons, com uma Copa do Mundo 2006 aquém das expectativas, com a eliminação do Brasil nos Quartos de Final, num palco onde Ronaldinho era a cara do torneio. O Barcelona campeão da Europa perdia o Mundial de Clubes frente ao Internacional de Porto Alegre, de um miúdo que lhe chamavam Pato, e Ronaldinho começou a indiciar querer um novo desafio. Entre estes episódios e algumas lesões pelo meio, foi para um AC Milan onde também mostrou o seu talento e prolongou a sua estadia na Europa por mais 2 anos até voltar a casa. 

Seguiu-se o Flamengo e o Atlético Mineiro onde voltou a brilhar vencendo a Libertadores! Sim, Ronaldinho é o único no Mundo a ter vencido a Libertadores, Mundial de Seleções, Champions League e 2x Bola de Ouro.


O Querétaro do México e o Fluminense foram as últimas paragens de um jogador que não sabia jogar sem alegria e sem um sorriso na cara.

Ronaldinho é a melhor técnica que o Mundo alguma vez verá, um dos jogadores mais entusiasmantes da história do desporto. Todos se lembrarão das suas fantásticas jogadas, os seus dribles ficarão para sempre na memória de todos os que tiveram o privilégio de acompanhar a sua carreira. 
No seu auge, Ronaldinho é incomparável, fazia coisas absurdas e todos os que lhe apareciam à frente ficavam num filme de memórias como parte de uma jogada de maestro.


Para mim o melhor, o meu preferido, Ronaldo de Assis Moreira!


  

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