Um dia de CLÁSSICO!

Toca o despertador, já estava acordado. Ouço um ternurento “bom dia”, mas sai-me um “hoje há clássico”! Dispenso os 5 minutos a mais na cama e saio disparado para o banho. Hoje não ligo o Spotify, o protagonista sou eu e as músicas do meu clube. Fecho os olhos, imagino as luzes, a claque, as jogadas, os golos e os festejos. Vou para o café, pego no jornal desportivo. Leio as linhas e as entrelinhas, interpreto as táticas, faço o meu juízo. Partilho-o com os meus amigos, discuto-o ao pormenor, ao nível de uma verdadeira equipa técnica. Almoço num ápice e vou para as imediações do estádio. Não vou de qualquer maneira, levo a minha camisola da sorte, o meu cachecol da sorte, sinto-me confiante. Bebo uma cervejinha, ouço histórias de clássicos anteriores, comento grandes momentos com o meu clube, analiso o presente, projeto o futuro.
Está quase! Entro no estádio. Olho à minha volta, calado. Sinto o cheiro da relva, a adrenalina começa a subir. Tenho uma bandeira numa mão, o telemóvel na outra a gravar, vou fazer parte de uma coreografia. Canto bem alto o hino do meu clube enquanto vejo os meus heróis alinhados no terreno de jogo. A bola começa a rolar e nada mais importa, só aqueles 100 metros! Durante 90 minutos não tiro os olhos dali! Começou o Clássico! Canto em coro com milhares de pessoas. Sei as letras de cor!


O jogo começa sem lances de perigo nos primeiros minutos! As equipas entram a demonstrar o respeito que sentem uma pela outra: O Tetra campeão SL Benfica e aquela que muitos defendem como a melhor equipa a jogar futebol em Portugal e 1º classificado FC Porto. Registo apenas para um pontapé de canto para os encarnados, a criar perigo, mas estava lá José Sá, o principal responsável por fazer com que a comunicação social tenha deixado de abordar o assunto de Iker Casillas suplente. A partir desse momento, só deu dragão. O Porto foi atrás do apelo dos seus adeptos, para os quais uma vitória frente ao Benfica vale mais que tudo! Principalmente se daí resultar um avanço de 6 pontos na tabela. Brahimi com um passe a rasgar, (que passe!!!), isolou Marega. Gritou-se penalty no estádio, mas o árbitro viu bem o fantástico corte de Jardel. Não viu foi o “carinho” que Felipe deu a Jonas, algo que Felipe já nos vem habituando jornada após jornada. O nome de Felipe não ficou escrito nas notas de Jorge Sousa, tal como o nome de Luisão não ficou escrito pela segunda vez nos cartões. Embora de difícil análise, fica a ideia que Luisão precisou de uma mãozinha para abordar aquele lance, que não só lhe daria o 2º cartão amarelo, como seria penalty para os azuis!


No 2º tempo acentua-se a pressão do Porto. Vindo dos balneários determinado, o Porto mostrou a superioridade, criando diversas jogadas de perigo, muito perigo! Não é Marega? Mas mais do que uma superioridade expressa em lances de golo iminente para a baliza das águias, viu-se um Porto que foi capaz de reduzir o adversário a 30 metros. Marega teve por duas ocasiões o golo à sua mercê, uma delas conseguiu fazer de uma bola que era só encostar, um lance perdido e de um cabeceamento na pequena área, uma oferta para os Super Dragões. Os remates perigosos de Herrera e Brahimi, fazem-me destacar Bruno Varela como o melhor em campo. Que grande exibição! E bem merece que seja destacado, porque o futebol não é só crítica à má exibição e o Bessa já ficou para trás. Varela foi fantástico, e já veio assim de Moscovo! Num jogo já de natureza muito “quentinho”, o fiscal de linha entendeu aumentar a temperatura, assinalando um fora de jogo aos dragões que, convenhamos, é de perder a cabeça! Nota ainda para o banco do Benfica, que recebeu a “visita” de alguém que queria um autógrafo de Pizzi à força, e para Marega que decidiu “cumprimentar” um dirigente adversário. Tiago Pinto foi ter com Zivkovic ao balneário, expulso 2 minutos após entrar!





Acabou o dia de Clássico! Já vivi dezenas deles, é suposto ficar sempre assim? Qualquer outro espetáculo que visse dezenas de vezes já me tinha fartado. Mas este não. Faz parte de mim, é mais forte que eu! E tu? Como vives um Clássico?

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